Técnicas de composição musical: 22 métodos e quando usar cada um
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22 técnicas para compor uma música, da escrita de objeto e da prosódia aos acordes emprestados e à coescrita, cada uma com um exemplo e um teste de 5 minutos.
Técnicas de composição são movimentos pequenos e repetíveis que resolvem um problema específico de uma música. Quem compõe com frequência usa cinco famílias delas. As técnicas de letra (escrita de objeto, caixas, título primeiro, detalhe concreto, troca de ponto de vista) dão palavras que valem a pena cantar. As de melodia e ritmo (contraste entre verso e refrão, ritmo melódico que segue a fala, repetição com variação, gancho bem posicionado) fazem a melodia grudar. As de harmonia (trocar um acorde debaixo da mesma melodia, um acorde emprestado, uma nota pedal) mudam a cor sem reescrever. As de processo (restrições, escrever rápido e revisar devagar, gravar primeiro, regras para terminar) fazem a música sair. E as de grupo (papéis, “sim, e…”, revezamento, blocos de tempo, gravar tudo, divisão combinada antes) tornam uma coescrita produtiva. Escolha a técnica pelo problema que está na sua frente, não por hábito.
A seguir: as 22 numa tabela, cada uma com um exemplo original, e um guia para escolher pelo problema. Os exercícios cronometrados estão em exercícios de composição; se é sua primeira música, comece pelo guia passo a passo.
As 22 técnicas num relance
| Técnica | Que problema resolve | Teste em 5 minutos | Ferramenta grátis que ajuda |
|---|---|---|---|
| 1. Escrita de objeto | Versos que explicam em vez de mostrar | Escreva sem parar sobre o objeto mais perto, só com os sentidos | Ideias para músicas |
| 2. Caixas | O refrão significa sempre a mesma coisa | Uma frase com o que cada verso acrescenta | Planejador de estrutura |
| 3. Título primeiro | Nenhuma ideia clara | Anote 10 títulos e fique com o que faz uma pergunta | Gerador de títulos |
| 4. Detalhe concreto | Letra vaga e genérica | Troque uma palavra abstrata por um objeto ou um nome | Dicionário de rimas |
| 5. Troca de ponto de vista | A letra parece um diário | Reescreva o primeiro verso com “você” e depois com “ela” | Contador de sílabas |
| 6. Contraste verso–refrão | O refrão não decola | Cante o refrão mais agudo, com notas longas | Que nota estou cantando |
| 7. Ritmo da fala | A letra não canta | Fale a frase, bata palmas, cante nesse ritmo | Contador de sílabas |
| 8. Repetição com variação | Melodia que ninguém lembra | Repita um compasso e mude só o final | Metrônomo tap tempo |
| 9. Onde cai o gancho | Ninguém lembra o título | Coloque o título na primeira ou na última linha do refrão | Player de progressões |
| 10. Trocar um acorde | Progressão batida | Troque um acorde por outro que tenha duas notas em comum | Player de progressões |
| 11. Acorde emprestado | Trecho sem graça ou doce demais | Deixe o IV menor ou ponha ♭VI–♭VII antes do refrão | Player de progressões |
| 12. Nota pedal | Falta tensão | Segure uma nota no baixo enquanto os acordes mudam | Identificador de acordes |
| 13. Restrições | Opções demais | Escolha três limites: acordes, lugar, tamanho | Ideias para músicas |
| 14. Rápido, depois devagar | Revisar mata o rascunho | Cinco minutos sem riscar nada; revise amanhã | Contador de sílabas |
| 15. Gravar primeiro | Ideias perdidas | Grave cada ideia dizendo o que ela é | Descobrir tom e BPM |
| 16. Regras para terminar | Música que nunca acaba | Escreva o que “pronta” quer dizer | Checklist de canção inacabada |
| 17. Papéis na sala | Todo mundo faz tudo | Quem toca, quem escreve, quem grava | Criador de cifras |
| 18. “Sim, e…” | Ideias mortas na hora | Por 10 minutos, só vale somar | Ideias para músicas |
| 19. Revezamento | Alguém domina a sessão | Passe o violão e a caneta com timer | Dicionário de rimas |
| 20. Blocos de tempo | A sessão se perde | 25 minutos por parte e para | Planejador de estrutura |
| 21. Gravar a sessão inteira | ”Como era aquele verso?” | Comece a gravar quando sentar | Descobrir tom e BPM |
| 22. Divisão combinada antes | Briga quando a música fica boa | Combine a regra antes da primeira linha | Modelo de split sheet |
Técnicas de letra
1. Escrita de objeto
Dez minutos escrevendo sem parar sobre um objeto, com os sentidos e não com opiniões. Pat Pattison, professor de escrita de letras na Berklee, usa a técnica como exercício diário de toda manhã no curso Lyric Writing 1 e a explica em Writing Better Lyrics (1995). Uma variante da Berklee, a escrita de destino (destination writing), parte de um lugar, uma pessoa ou um momento; Andrea Stolpe propõe fazer com um timer de seis minutos.
Use quando seus versos dizem o sentimento (“me sinto tão sozinho”) em vez de mostrar, ou como aquecimento.
Exemplo, objeto: o ventilador de teto do quarto.
gira devagar, uma pá mais torta que as outras empurra o mesmo ar quente de um lado pro outro estala a cada volta, como quem conta os dias
Um ventilador que “conta os dias” já é um verso sobre esperar alguém que não vem.
2. Caixas: versos que andam e um refrão que muda de sentido
O modelo de caixas de Pattison trata cada verso com o refrão como uma caixa. Cada verso traz algo novo, então as mesmas palavras do refrão pesam mais a cada vez. No site dele, a recomendação é decidir o ponto de vista antes de montar as caixas, porque é ele que decide para onde cada verso pode ir.
Use quando o segundo verso repete o primeiro ou o último refrão soa mais fraco que o primeiro.
Exemplo, título do refrão: “Deixa que eu levo”.
- Caixa 1, passado: o pai carrega a mochila da filha até o portão da escola. O título quer dizer “eu cuido de você”.
- Caixa 2, presente: ela ajuda o namorado a descer as caixas da mudança para outra cidade. O título quer dizer “pode ir, eu aguento”.
- Caixa 3, futuro: ela leva o violão do pai até o palco no show de homenagem. O título quer dizer “o que você deixou continua comigo”.
As mesmas quatro palavras, três sentidos.
3. Título primeiro
Escolha o título antes de tudo e escreva a música para cumprir o que ele promete. Procure tensão: uma pergunta, uma contradição, uma frase que as pessoas falam de verdade.
Use diante da página em branco ou quando o rascunho se espalha.
Exemplo: “Recado na geladeira” levanta perguntas na hora: quem deixou, o que dizia, por que ninguém tirou até hoje. Cada resposta vira uma parte, e a última vira a ponte. Mais pontos de partida em ideias de títulos para músicas.
4. Detalhe concreto no lugar da abstração
Troque as palavras abstratas (amor, dor, liberdade, sempre) por coisas que uma câmera conseguiria filmar. O abstrato diz ao ouvinte o que sentir; o detalhe faz ele sentir.
Use quando um verso caberia em qualquer música.
- Abstrato: “Sinto sua falta todo dia”
- Concreto: “Seu chinelo ainda tá do lado da porta / virado pra rua”
Regra prática: um substantivo concreto por linha nos versos. Guarde a palavra abstrata para o refrão, quando os versos já tiverem conquistado esse direito.
5. Troca de ponto de vista
Reescreva a letra de outro ponto de vista. Pattison trabalha com quatro: primeira pessoa, segunda pessoa, terceira pessoa e apelo direto (eu falando com você), e recomenda testar todos antes de dar a música por pronta.
Use quando a letra soa como desabafo de diário ou quando um tema pessoal precisa de distância.
- Primeira pessoa: “Ainda passo na sua rua”
- Apelo direto: “Você ia rir se me visse dar a volta no quarteirão só pra passar na sua rua”
- Terceira pessoa: “Ela desce do ônibus um ponto antes, só pra passar na frente do prédio dele”
A terceira pessoa deixa o ouvinte observar. O apelo direto cria uma conversa, e aí um verso pode pedir alguma coisa: fica, vai, liga.
Técnicas de melodia e ritmo
6. Contraste entre verso e refrão
Faça o refrão se diferenciar do verso em pelo menos duas de três coisas: região, duração das notas e ritmo. Em geral, o verso é mais grave e cheio de sílabas, perto da fala; o refrão é mais agudo, com notas longas.
Use quando o refrão chega e nada acontece.
O que ouvir: o verso (0:02–0:12) fica em Am–F–C–G, com melodia grave, uma nota por sílaba e sem bateria. Em 0:12 entra o refrão em C–G–Am–F, mais agudo, com notas longas e bateria. É um exemplo didático sintetizado. Para testar sua música, cante a nota mais alta do verso e a do refrão em que nota estou cantando. Deu a mesma? Suba o refrão.
7. Ritmo melódico que segue a fala (prosódia)
Pattison define prosódia como a relação certa entre todos os elementos da música para sustentar a mensagem central. Linha por linha, isso começa no ritmo: as sílabas tônicas caem nos tempos fortes ou nas notas longas, do jeito que você fala a frase.
Use quando a letra “não canta” ou uma palavra sai torta, como “música” cantada “mu-SI-ca”.
Exemplo: “Eu nunca disse que queria ir embora”. Falada, a frase tem as tônicas eu NUN-ca DIS-se que que-RI-a ir em-BO-ra. Coloque essas quatro sílabas nos tempos 1 e 3 ou em notas longas; se o “que” cair num tempo forte, a frase soa traduzida. Bata o ritmo, cante numa nota só e depois acrescente as alturas. O método completo está em sílabas e acentos.
8. Repetição com variação
Apresente uma ideia melódica curta, repita e mude uma coisa só: o final, a altura ou o ritmo. A repetição ensina a melodia; a mudança segura a atenção.
O que ouvir: uma ideia de um compasso em 0:02. Em 0:05 ela começa igual, mas sobe em vez de descer. Em 0:07 o mesmo ritmo vai para uma região mais aguda. Em 0:10 algo novo responde, e em 0:13 tudo recomeça. Na sua letra: mantenha o ritmo “ta-ta-TÃ, ta-ta-TÔ por três linhas e quebre na quarta.
9. Onde cai o gancho
O gancho, quase sempre o título, funciona melhor onde o ouvido espera algo importante: primeira ou última linha do refrão, no tempo forte, numa nota longa ou aguda, repetido.
O que ouvir: a mesma frase de dois compassos quatro vezes, por volta de 0:02, 0:07, 0:12 e 0:17. Na terceira vez você já canta junto. Agora escreva um refrão que abre e fecha com “Deixa que eu levo”, com o “LE” na nota mais longa, em cima do player de progressões. O guia do gancho musical vai mais fundo.
Técnicas de harmonia
10. Trocar um acorde debaixo da mesma melodia
Mantenha a melodia e troque um acorde por outro que tenha duas notas em comum com ele. C (dó–mi–sol) e Am (lá–dó–mi) têm dó e mi; G (sol–si–ré) e Em (mi–sol–si), sol e si; F (fá–lá–dó) e Dm (ré–fá–lá), fá e lá. A melodia continua encaixando; a cor muda.
Use quando a progressão soa igual a todas as outras ou o último refrão pede outra cor.
Exemplo: toque em loop C–G–Am–F e depois C–Em–Am–F. Se sua melodia está em sol ou si no segundo acorde, o Em encaixa e soa mais delicado.
11. Um acorde emprestado
Pegue emprestado um acorde do tom menor paralelo: Dó menor quando você está em Dó maior. Os convidados de sempre são o iv (Fm), o ♭VI (A♭) e o ♭VII (B♭).
O que ouvir: por volta de 0:09, o F vira Fm; uma nota só desce (lá para lá♭) e a luz diminui. Acontece de novo perto de 0:22. Se você quer impulso em vez de sombra, termine um verso em C–Am–A♭–B♭ e deixe o refrão cair em C. Mais ideias em progressões de acordes para compor.
12. Nota pedal ou baixo pedal
Uma nota pedal fica parada enquanto os acordes mudam em volta dela, quase sempre no baixo. O atrito cria tensão; mexer o baixo alivia.
Use numa introdução ou num pré-refrão que precisa crescer.
Exemplo: em C, segure dó no baixo por quatro compassos debaixo de C, F/C, G/C, F/C, e desça para lá com Am quando o refrão entrar. No violão, experimente um pedal agudo: deixe a primeira corda solta (mi) soando em C, Am, Fmaj7 (xx3210) e G6 (320000). Todos têm esse mi; o identificador de acordes dá o nome dessas formas a partir das notas.
Para ler mais sobre harmonia e colaboração, Tunesmith: Inside the Art of Songwriting (1998), de Jimmy Webb, percorre a construção da música, a rima, as progressões e a coescrita do ponto de vista de quem vive do ofício.
Técnicas de processo
13. Restrições
Limite suas opções de propósito: três acordes, um lugar só, 12 linhas, menos de dois minutos e meio, palavras de uma sílaba no refrão. Use quando você tem ideias demais, ou nenhuma.
Exemplo: “Só C, Am e F; tudo acontece numa rodoviária de madrugada; proibido usar a palavra ‘saudade’”. Os limites obrigam a escolher detalhes: o banco de concreto, a lanchonete baixando a porta, o aviso no alto-falante. O gerador de ideias para músicas sorteia uma combinação para você.
14. Escrever rápido, revisar devagar
Separe criar de julgar. Escreva uma parte inteira de uma vez, sem riscar nada, e revise depois em passadas separadas, de preferência no dia seguinte, cada uma com uma pergunta: cada linha acrescenta algo? Cada sílaba tônica cai num tempo forte? Alguma rima está forçada?
Use quando você lapida a primeira linha por uma hora e nunca chega à segunda. Confira o som com o contador de sílabas e procure só a rima forçada no dicionário de rimas.
15. Gravar primeiro com uma nota de voz
Grave cada ideia no celular assim que ela aparecer, antes de melhorar, e diga o que é logo no começo: “Ideia de verso, Deixa que eu levo, capotraste na 2, lento”. Melhorar antes de gravar é o jeito mais fácil de perder a versão que estava boa.
Na Zoundroom, o botão «Gravar» da tela inicial faz isso em dois toques: ao parar, você dá o título e escolhe o projeto da música, e a ideia cai onde você vai procurar amanhã.
Depois, a página descobrir tom e BPM mostra o tom e o andamento da gravação analisando o arquivo no seu navegador. O guia para organizar notas de voz explica como nomear e separar. Para transformar a nota de voz em arranjo, o guia de apps para fazer música, com ou sem IA generativa compara as opções grátis e pagas.
16. Regras para terminar
Condições que você define antes e que dizem quando uma música está pronta. Exemplo: “Pronta quer dizer título, dois versos, refrão, nenhuma linha provisória e uma gravação do começo ao fim”. Ou: “Uma semana por música; depois, pronta ou engavetada”.
Use se você tem uma pasta cheia de primeiros versos incríveis. Passe um rascunho travado pelo checklist de canção inacabada e leia como terminar uma música quando está travado.
Técnicas de grupo e dinâmica de grupo
Compor com outras pessoas acrescenta um segundo problema: revezamento e confiança. A pesquisa dá pistas:
- Como a coescrita funciona. Joe Bennett (Journal on the Art of Record Production, 2011) entrevistou artistas que compõem e descreveu a coescrita por seis processos: estímulo, aprovação, adaptação, negociação, veto e consenso. Ele vê o veto como uma vantagem: quem compõe com você é uma primeira plateia pronta.
- Por que o brainstorming em voz alta trava. Diehl e Stroebe (1987) mostraram que o bloqueio de produção, ter que esperar a sua vez de falar, explicava a maior parte da perda de produtividade dos grupos de brainstorming em comparação com o mesmo número de pessoas trabalhando sozinhas.
- Por que segurança importa. Amy Edmondson (1999) estudou 51 equipes de uma empresa industrial e relacionou a segurança psicológica, a crença compartilhada de que a equipe é um lugar seguro para correr riscos interpessoais, a comportamentos de aprendizagem. Não é um estudo sobre música, mas uma coescrita também é uma equipe correndo riscos.
- Por que a estrutura pesa mais que a boa vontade. Na musicoterapia, Felicity Baker (2013) entrevistou 45 clínicos e pesquisadores, que apontaram que o tamanho, a coesão, os conflitos e a composição do grupo podem favorecer ou atrapalhar a composição em grupo. Um estudo pequeno e anterior de Tania Cordobés (1997), com adultos vivendo com HIV e depressão, não encontrou mais coesão com a composição em grupo do que com jogos, embora os participantes tenham usado mais palavras de emoção.
A conclusão: compor junto não une um grupo sozinho. As seis técnicas a seguir organizam a sala. Para uma sessão completa, leia como preparar e orientar uma sessão de coescrita; para uma banda, como compor uma música em banda.
17. Papéis na sala
Dê a cada pessoa uma função na sessão: quem toca, quem segura a caneta e relê as linhas, quem grava e cuida do relógio, e quem desempata, normalmente o artista dono da música. Os papéis podem rodar; só não podem ficar vagos.
Exemplo: Bia toca violão, Rafa escreve no criador de cifras e relê, Caio grava e controla o timer. A música é para o EP da Bia, então ela desempata. Para funções além de uma sessão, veja funções em uma banda.
18. “Sim, e…” antes de julgar
Uma regra do teatro de improviso: durante um tempo combinado, você responde a cada ideia somando algo em vez de julgar. A avaliação vem depois, num bloco separado de escuta.
Exemplo, dez minutos depois de começar:
- A: “E se o refrão for a voz do GPS?”
- B: “Sim, e ele fica mandando voltar pra casa dela.”
- C: “Sim, e o título é ‘Recalculando rota’.”
O GPS talvez saia depois. “Recalculando rota” provavelmente fica.
19. Revezamento no instrumento e na caneta
Quem está com o violão manda nos acordes e no andamento; quem está com a caneta manda nas palavras. As duas coisas trocam de mão com timer. Antes de discutir uma parte, cada pessoa escreve cinco minutos sozinha: isso contorna o bloqueio de produção.
Exemplo: cada um escreve em silêncio três linhas candidatas para o segundo verso e lê em voz alta; o grupo fica com a melhor de cada pessoa e rima as três juntos.
20. Blocos de tempo
Dê a cada tarefa um tempo fixo e pare quando acabar: 25 minutos para o refrão, 25 para o primeiro verso, 10 para escolher entre duas pontes e 5 para fechar com quem grava a demo e qual é o próximo passo. Um bloco de tempo transforma um debate sem fim numa decisão. Desenhe antes as partes no planejador de estrutura para todo mundo saber em que bloco a sessão está.
21. Gravar a sessão inteira
Comece uma gravação contínua logo no início e fale o minuto em voz alta quando algo bom acontecer: “linha no minuto 14”. Ninguém precisa lembrar, e a dúvida sobre quem sugeriu o quê tem resposta. No dia seguinte, ouça só os momentos marcados.
22. Combinar a divisão antes de escrever
Combine com os outros como os direitos autorais vão ser divididos antes da primeira linha, quando ninguém tem nada a defender ainda. Algumas sessões dividem em partes iguais entre quem está na sala; outras, pela contribuição. As duas funcionam se forem combinadas antes e registradas por escrito no mesmo dia.
Exemplo: “Três autores, um terço para cada, aconteça o que acontecer hoje.” No fim, preencha o modelo de split sheet e todo mundo assina. O guia o que é split sheet explica o que incluir; é informação geral, não orientação jurídica.
Como escolher qual técnica usar
Parta do sintoma, não da sua técnica favorita. Teste uma de cada vez e grave um antes e um depois para ouvir se ajudou.
| Problema | Teste primeiro | Depois |
|---|---|---|
| Página em branco | Título primeiro ou escrita de objeto | Restrições |
| Refrão sem graça | Contraste verso–refrão, posição do gancho | Acorde emprestado logo antes do refrão |
| Letra que não canta | Ritmo da fala | Detalhe concreto com menos sílabas |
| Ponte travada | Uma caixa nova: outro tempo, outro lugar ou outro ponto de vista | Baixo pedal ou acorde emprestado para mudar a cor |
| O segundo verso repete o primeiro | Caixas | Troca de ponto de vista |
| Grupo que briga | Divisão combinada, “sim, e…”, blocos de tempo | Papéis, com alguém que desempata |
| Músicas demais sem terminar | Regras para terminar | Gravar primeiro, blocos de tempo |
Para ir além: o guia do refrão, o guia da ponte e, se você não consegue nem começar, bloqueio criativo.
Zoundroom: a melhor para guardar o que cada técnica deixa, num projeto por música
Na Zoundroom, cada música é um projeto que reúne o que as técnicas deixam para trás: a página de escrita de objeto, a nota de voz com o gancho, o refrão em três progressões, o áudio da coescrita e o split sheet. Escreva o plano de caixas numa nota e grave a melodia com o microfone da nota (na web, «Gravar»): o áudio entra no cursor, embaixo da linha a que pertence. Importe a gravação da sessão e as notas de voz antigas em «Adicionar» → «Importar» e marque cada take com uma etiqueta de seção, como «Refrão» ou «Ponte». Quando uma restrição emperra, os atalhos do Auralis dentro da nota ajudam com texto: «Campo semântico» agrupa vocabulário do tema, «Progressão de acordes» propõe duas progressões com cifra e «Estrutura da música» descreve as seções e sugere uma mudança. Quem compõe com você abre os mesmos takes no iPhone, no Android ou na web.
No Free, cada projeto se compartilha com 2 pessoas e cabem 5 itens no total. O Pro sobe para até 4 pessoas por projeto e 10.000 itens, importa o split sheet em PDF e libera os comentários no segundo exato, como “o gancho entra atrasado em 0:42”; teste 7 dias grátis no iPhone e na web com a música em que você está aplicando a técnica desta semana.
Limite: para produzir e fazer a mixagem final, leve os takes para o GarageBand ou outra DAW.
Perguntas frequentes
Quais são as principais técnicas de composição musical?
Elas formam cinco famílias: letra (escrita de objeto, caixas, título primeiro, detalhe concreto, ponto de vista), melodia e ritmo (contraste entre verso e refrão, prosódia, repetição com variação, posição do gancho), harmonia (substituição de acordes, acordes emprestados, notas pedal), processo (restrições, escrever e revisar separadamente, gravar as ideias, regras para terminar) e técnicas de grupo para a coescrita.
Qual técnica de composição aprender primeiro?
Título primeiro e gravar primeiro: o título dá uma missão para a música, e gravar cada ideia evita perder qualquer coisa. Some a escrita de objeto como hábito diário de dez minutos e, quando começar a pôr letra em melodia, a prosódia.
Como compor em grupo sem brigar?
Combine a divisão antes de escrever, dê um papel a cada pessoa, some às ideias com “sim, e…” antes de julgar e ponha um tempo em cada parte. Deixe alguns minutos para cada um escrever sozinho antes do debate e defina quem desempata.
O que é escrita de objeto?
Um exercício cronometrado, em geral de dez minutos, em que você escreve sem parar sobre um objeto usando os sentidos. Pat Pattison, da Berklee, ensina como aquecimento diário; a variante, a escrita de destino, parte de um lugar, uma pessoa ou um momento.
Como encaixar a letra na melodia?
Fale a linha em voz alta, marque as sílabas tônicas e coloque essas sílabas em tempos fortes ou notas longas. Linhas que se correspondem precisam de número de sílabas e acentos parecidos.
Fontes
Todas as páginas foram consultadas em 29 de setembro de 2026.
- Berklee College of Music: Pat Pattison, perfil de professor (professor; a escrita de objeto como exercício diário de dez minutos no Lyric Writing 1; seus livros).
- Pat Pattison: Point of view and verse development (decidir o ponto de vista antes de montar as caixas; testar os quatro pontos de vista) e Developing verse ideas (os versos levam o título de um sentido a outro).
- Pat Pattison, Prosody in Music and Songwriting, Berklee Online Take Note, 28 de maio de 2022 (definição de prosódia).
- Andrea Stolpe, Songwriting Techniques Using Destination and Object Writing, Berklee Online Take Note, 25 de janeiro de 2019 (escrita de destino; atribui a escrita de objeto a Writing Better Lyrics, de Pattison, Writer’s Digest Books, 1995).
- Jimmy Webb, Tunesmith: Inside the Art of Songwriting, Hyperion, 1998 (registro de biblioteca).
- Joe Bennett, Collaborative songwriting: the ontology of negotiated creativity in popular music studio practice, Journal on the Art of Record Production, n.º 5, 2011.
- Michael Diehl e Wolfgang Stroebe, Productivity loss in brainstorming groups: toward the solution of a riddle, Journal of Personality and Social Psychology 53, 1987, p. 497–509.
- Amy Edmondson, Psychological Safety and Learning Behavior in Work Teams, Administrative Science Quarterly 44(2), 1999.
- Felicity A. Baker, Music Therapists’ Perceptions of the Impact of Group Factors on the Therapeutic Songwriting Process, Music Therapy Perspectives 31(2), 2013, p. 137–143.
- Tania K. Cordobés, Group Songwriting as a Method for Developing Group Cohesion for HIV-Seropositive Adult Patients with Depression, Journal of Music Therapy 34(1), 1997.