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Como registrar uma música: Biblioteca Nacional, UBC e ECAD

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Sua música é protegida desde que você a cria. Veja como registrar na Biblioteca Nacional ou na UFRJ, quanto custa e como cadastrar a obra para receber do ECAD.

Compositora em uma mesa com notebook e uma letra impressa, guardando a folha em uma pasta ao lado de um caderno com datas, com luz do dia

No Brasil, sua música é protegida pela lei desde que você a cria, mesmo que seja só uma gravação no celular: a Lei de Direitos Autorais diz que a proteção “independe de registro”. Registrar é opcional e serve como prova de autoria. Aqui costumam se misturar duas coisas diferentes: o registro da obra, feito na Biblioteca Nacional ou na Escola de Música da UFRJ, que prova que a música é sua, e o cadastro da obra na sua associação (UBC, Abramus e as outras que administram o ECAD), que é o que faz você receber quando ela toca. Este guia explica os caminhos oficiais como estão em setembro de 2026; não é consultoria jurídica.

OndePara que serveQuanto custa (2026)
Biblioteca Nacional (EDA)Registro da letra, da partitura ou das duas, como prova de autoriaR$ 40 para pessoa física, pelo gov.br
Escola de Música da UFRJRegistro da música em partitura, como prova de autoriaR$ 15 por música, pelo correio ou presencial
Sua associação (UBC, Abramus e outras)Cadastro da obra para receber direitos de execução pública via ECADA Abramus não cobra pela filiação

Quando a música é sua e por que registrar mesmo assim

O direito autoral nasce sozinho. É o princípio da Convenção de Berna, que proíbe condicionar a proteção a qualquer formalidade, e a Lei 9.610 segue a mesma linha: “A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro.” O artigo seguinte diz que registrar é uma faculdade do autor. Uma melodia que só existe na sua cabeça ainda não foi expressa em lugar nenhum; a gravação no celular, sim.

Então, por que registrar? Porque o registro é uma prova oficial e datada. A Biblioteca Nacional explica que ele é facultativo e não é condição para a proteção, mas “constitui importante meio de prova de autoria e titularidade”. A instrução normativa do Escritório de Direitos Autorais (EDA) define o registro como um ato declaratório, que estabelece uma “presunção de anterioridade”: em uma disputa, conta a seu favor que a obra já estava registrada em seu nome naquela data.

O que o registro não faz é pagar você. O ECAD deixa claro que o registro feito na Biblioteca Nacional ou na Escola de Música da UFRJ “não tem relação com o trabalho do Ecad e a distribuição de direitos autorais”. Para receber, você precisa se filiar a uma associação e cadastrar a obra lá.

O que preparar antes de registrar

Todo formulário pede quase as mesmas coisas. Junte tudo uma vez, numa pasta só, e cada registro ou cadastro leva minutos.

O quêComo ter à mãoPara que serve
Título definitivoO título de lançamento e o provisório, se houverDemos e cadastros podem trazer qualquer um dos dois
Autores e porcentagensNome completo de cada autor e a parte de cada um, somando 100%Precisam bater no registro, na associação e na distribuidora
LetraA versão final em PDFA Biblioteca Nacional registra a letra
PartituraA melodia escrita, com ou sem letra, em PDFExigida pela UFRJ; na Biblioteca Nacional, para registrar a música, e não só a letra
GravaçãoA música completa em MP3 ou WAVPara o seu arquivo e para a distribuidora
Versões com dataDemos e rascunhos anteriores, com a dataSeu próprio histórico de como a música nasceu
Conta gov.brNível bronze, prata ou ouroNecessária para pedir o registro na Biblioteca Nacional pela internet

Se a música tiver mais de um autor, combine as porcentagens com os parceiros antes de registrar qualquer coisa. Um split sheet registra quem escreveu o quê e quanto cabe a cada um, e o modelo de split sheet gratuito confere se o total dá 100% e gera uma folha pronta para assinar.

Uma cifra, como a do criador de cifras, é ótima para o seu arquivo, mas não é partitura: não mostra a melodia. Se você não escreve música, a própria UFRJ lembra que a partitura pode ser manuscrita ou feita em qualquer programa, e cita o MuseScore como opção gratuita. E, para a gravação, uma demo em que a voz e a letra se ouçam bem já resolve; o guia para gravar uma demo com o celular mostra como.

Obra e gravação são duas coisas diferentes

Uma música lançada carrega dois direitos diferentes, com donos e pagamentos diferentes.

  • A obra musical (a composição): melodia, harmonia e letra. Pertence aos autores e, se houver, à editora. É o que você registra na Biblioteca Nacional ou na UFRJ e cadastra na associação.
  • A gravação (o fonograma, ou máster): uma interpretação gravada dessa obra. Pertence a quem produziu a gravação, que pode ser o próprio artista ou uma gravadora. A distribuidora paga o que ela rende nas plataformas.

O exemplo deste guia: Júlia compõe sozinha “Chuva no asfalto”, letra e música, em março de 2026, e grava a ideia no celular. Em junho, Caio escreve com ela uma ponte nova, e os dois assinam um split sheet de 75/25. Em setembro, Júlia grava a versão final em casa, paga tudo sozinha e lança por uma distribuidora. A obra é de Júlia (75%) e de Caio (25%); a gravação é só de Júlia. Se uma banda regravar “Chuva no asfalto” no ano que vem, Júlia e Caio recebem como autores, e a gravação da banda é da banda.

Por isso, registrar ou cadastrar a obra não cobre a gravação, e subir a gravação numa distribuidora não cadastra a obra em lugar nenhum.

Como registrar uma música na Biblioteca Nacional

  1. Entre no serviço “Registrar ou Averbar Direitos Autorais na Biblioteca Nacional”, no gov.br, com sua conta gov.br (nível bronze, prata ou ouro).
  2. Escolha o tipo certo. Pela instrução normativa do EDA, se você envia só a letra, o registro é de “letra de música” (cifrada ou não); se envia letra e partitura, ou só a partitura, é de “música”.
  3. Envie a obra em um único PDF. O pedido pela internet aceita um arquivo PDF, então vale a letra escrita ou a partitura, não um arquivo de áudio.
  4. Pague a taxa. O registro simples custa R$ 40 para pessoa física (R$ 80 para pessoa jurídica), por Pix ou cartão de crédito. Desde novembro de 2025, os pedidos pela plataforma não aceitam mais GRU.
  5. Aguarde. O prazo informado é de até 90 dias. A Biblioteca Nacional guarda uma cópia da obra registrada pelo prazo de proteção dos direitos patrimoniais.

Como registrar uma música na Escola de Música da UFRJ

A lei antiga de direitos autorais, à qual a Lei 9.610 ainda remete, manda registrar cada obra no órgão com que ela tiver “maior afinidade”, e o portal federal de propriedade intelectual indica a Escola de Música da UFRJ para obras musicais. Ela continua registrando:

  1. Preencha o formulário de registro autoral, um para cada música, em letra de forma legível ou no computador, e assine.
  2. Anexe a partitura com todas as páginas numeradas e assinadas, e a letra, se houver. A música precisa estar em notação musical.
  3. Pague R$ 15 por música e anexe o comprovante.
  4. Envie pelo correio ou entregue pessoalmente, de segunda a sexta, das 10h às 15h. Na entrega presencial, o certificado sai na hora ou em até 30 dias; pelo correio, chega por e-mail e pelos Correios.

Na prática: se você só tem a letra, a Biblioteca Nacional resolve. Se tem a partitura, as duas instituições registram a música; a UFRJ é mais barata, e a Biblioteca Nacional funciona pela internet.

Como cadastrar a música para receber do ECAD

O ECAD arrecada e distribui os direitos de execução pública musical e é administrado por sete associações: Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC. Ninguém se filia ao ECAD: você se filia a uma dessas associações e mantém seu repertório atualizado lá.

  • UBC. As obras são cadastradas pela “declaração de obras musicais” ou pelo Portal do Associado.
  • Abramus. A filiação não tem custo. O cadastro é feito no Portal Abramus, e em parceria um dos autores cadastra a obra com o nome e o percentual dos parceiros. A própria Abramus avisa que esse cadastro “não é válido como um registro de proteção”.

Júlia, em março, poderia registrar a letra de “Chuva no asfalto” na Biblioteca Nacional. Como a obra muda em junho com a ponte de Caio, eles esperam a versão final: registram letra e partitura com os dois como autores e cadastram a obra na associação com o 75/25 do split sheet, antes do lançamento.

O mito de mandar a música pelos Correios para você mesmo

Mandar para si mesmo uma carta registrada com a letra e a demo, e nunca abrir o envelope, é um conselho que circula muito. No máximo, ele mostra que algo foi enviado em uma data; não prova o que havia dentro, nem que foi você quem escreveu. Também não dá a presunção de anterioridade de um registro oficial. Se o custo preocupa, o registro na UFRJ sai por R$ 15 por música, e o da Biblioteca Nacional, por R$ 40.

Enquanto você não registra, uma pasta com rascunhos datados, um split sheet assinado e as mensagens trocadas com os parceiros contam a história da música muito melhor do que um envelope fechado.

Erros comuns

  • Achar que o cadastro na associação é um registro de autoria. UBC, Abramus e as demais cuidam do que a obra rende; o registro é outra coisa. Você pode precisar dos dois.
  • Registrar só a letra achando que protegeu a melodia. Registro de “letra de música” cobre a letra. Para a música inteira, envie a partitura.
  • Cadastrar só a gravação. Ter o fonograma numa distribuidora não cadastra a obra em nenhuma associação.
  • Porcentagens diferentes em cada lugar. 75/25 no registro e 50/50 na associação travam o pagamento. Copie sempre os números do split sheet assinado.
  • Registrar sozinho uma música feita a dois. Se há parceiros, todos precisam constar com a sua parte.
  • Apagar os rascunhos. Sem as gravações antigas, você perde seu próprio histórico de como a música nasceu.

Checklist antes de registrar

  • Título definitivo, com o provisório anotado
  • Nome completo, porcentagem (total 100%) e associação de cada autor, tirados de um split sheet assinado
  • Letra final em PDF
  • Partitura com a melodia, se for registrar a música inteira
  • Gravação completa em MP3 ou WAV
  • Demos e rascunhos com data, num lugar só
  • Registro feito na Biblioteca Nacional ou na UFRJ
  • Filiação a uma associação e obra cadastrada com as mesmas porcentagens
  • Comprovantes e certificados guardados com a música

Onde a Zoundroom ajuda: a história da música em um só projeto

O registro guarda uma foto da música pronta; a história por trás dela está nos seus rascunhos. Na Zoundroom, cada música é um projeto com gravações, letras, notas e arquivos, com a mesma conta no iOS, no Android e na web. Para “Chuva no asfalto”, Júlia guarda no projeto a gravação de março, o take de junho com a ponte de Caio e a mixagem final, cada um com a data no nome, como chuva-no-asfalto_demo-v2_2026-06-14 (o gerador de nomes de arquivos de música cria nomes assim). A letra final fica em uma nota, outra nota reúne os créditos e os dados de associado, e o split sheet assinado, a partitura e o certificado de registro entram como arquivos. Quando a associação, uma editora ou uma distribuidora perguntar quem escreveu o quê e quando, está tudo no mesmo lugar, e Caio, convidado para o projeto, vê as mesmas versões. A Zoundroom não é um registro: ela não registra obras em nenhum órgão nem as cadastra em nenhuma associação, e não substitui um registro ou um contrato. Veja como organizar projetos musicais na Zoundroom.

Perguntas frequentes

Como registrar uma música de graça?

A proteção já é de graça: a música é sua desde que você a cria. O registro oficial tem taxa, de R$ 15 por música na UFRJ ou R$ 40 na Biblioteca Nacional. A filiação à Abramus não tem custo, mas cadastrar a obra na associação serve para receber, não para provar autoria. Até registrar, guarde rascunhos datados e um split sheet assinado.

Preciso registrar a música para ela ser minha?

Não. A Lei 9.610 diz que a proteção independe de registro, e registrar é opcional. O registro dá uma prova oficial com data, útil se alguém disputar a autoria.

Quanto custa registrar uma música?

Em 2026, R$ 40 para pessoa física na Biblioteca Nacional, pelo gov.br, e R$ 15 por música na Escola de Música da UFRJ, pelo correio ou presencialmente. Cadastrar a obra na sua associação não é um registro de autoria.

Como cadastrar uma música na UBC ou no ECAD?

Você não cadastra no ECAD diretamente: filie-se a uma associação, como a UBC ou a Abramus, e cadastre a obra lá. Na UBC, pela “declaração de obras musicais” ou pelo Portal do Associado; na Abramus, pelo Portal Abramus. Informe todos os autores com as mesmas porcentagens do split sheet.

Posso registrar só a letra?

Sim. A Biblioteca Nacional registra “letra de música”, cifrada ou não, sem partitura. Esse registro cobre a letra; para registrar também a melodia, envie a partitura à Biblioteca Nacional ou à Escola de Música da UFRJ.

Fontes

Todas as páginas foram consultadas em 27 de setembro de 2026.