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Como fazer uma melodia para uma música: 6 passos com áudio

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Faça uma melodia passo a passo: ritmo, contorno, notas do acorde, repetição e contraste. Ouça cada princípio e componha 8 compassos sobre acordes.

Uma compositora toca um piano vertical numa sala aconchegante, com folhas abertas na estante

Para fazer uma melodia, trabalhe nesta ordem. Primeiro o ritmo: bata palmas ou fale o padrão antes de escolher qualquer nota. Depois o contorno: dê uma forma a cada frase, quase sempre com passos curtos e um ou dois saltos em direção a um ponto alto. Notas do acorde nos tempos fortes: faça o tempo 1 de cada compasso cair em uma nota do acorde que está tocando por baixo e use as outras notas para caminhar entre elas. Repetição com variação: apresente uma ideia, repita e mude o final. Contraste entre as partes: leve o refrão mais para o agudo e dê a ele notas mais longas que as do verso. Grave e teste: se no dia seguinte você consegue cantar a melodia sem apertar o play, ela funciona.

Cada passo abaixo vem com um exemplo curto de áudio; depois vêm uma análise compasso a compasso e um exercício de 20 minutos.

Três jeitos de começar uma melodia

Você tem palavras, tem acordes ou tem um som na cabeça. Os seis passos mais abaixo servem para os três casos.

A partir do ritmo natural de uma frase da letra

Se você já tem letra, metade do ritmo está escrita. Fale a frase como numa conversa e marque as sílabas em que você se apoia. Por exemplo, esta frase original:

Ainda tem café na mesa pra você

Ela tem quatro acentos: a-IN-da tem ca-FÉ na ME-sa pra vo-CÊ. Isso cabe em dois compassos: “a-” como anacruse, IN no tempo 1, “da tem ca-” rápidas, FÉ no tempo 3, “na” rápida, ME no tempo 1 seguinte, “sa pra vo-” rápidas e CÊ no tempo 3, sustentada. Repare no “pra”: a forma falada tira uma sílaba de “para” e deixa a frase respirar. Bata a frase e depois fale com intenção, percebendo onde sua voz sobe: exagerar essa curva da fala já é um primeiro contorno válido. Como colocar melodia em uma letra desenvolve esse caminho, e o guia de sílabas e acentos ajuda com as frases que não encaixam.

A partir de uma progressão de acordes

Comece com uma nota longa por acorde, tirada do próprio acorde. Sobre C–G–Am–F (dó, sol, lá menor, fá), a linha mi–ré–dó–dó funciona: mi pertence a C, ré a G, dó a Am e dó a F. Cante essa linha sobre o loop e depois enfeite: dê um ritmo, chegue em cada nota longa por uma vizinha e deixe um compasso saltar mais alto. Em progressões de acordes para compor você encontra loops para começar; o exercício mais abaixo usa este.

A partir de um motivo cantarolado

Grave no celular um minuto cantarolando em “da” ou “mm”, sem acordes e sem plano. Fique com o melhor fragmento, um compasso de três a cinco notas, e repita, varie e responda (passo 4). Os acordes vêm depois: teste acordes que contenham a nota do tempo 1. Ideias cantaroladas costumam ser cantáveis porque foram criadas por uma voz, e é assim que nascem muitos ganchos musicais.

Como fazer uma melodia em seis passos (com áudio)

Os exemplos são esboços didáticos curtos sintetizados no seu navegador, não produções finalizadas. Todos começam com um compasso de contagem.

Passo 1: primeiro o ritmo, depois as notas

Só o ritmo · uma nota, sem acordes · 96 BPM

Este é o ritmo de uma melodia de treino de 8 compassos, em uma única nota. Depois da contagem (0:00–0:02), quatro frases começam em 0:02, 0:07, 0:12 e 0:17. Cada uma vai longa–curta–curta–longa, faz uma pausa e coloca uma nota rápida logo antes da seguinte. A última termina numa nota sustentada de 0:20 até mais ou menos 0:22. Perceba quanto você já entende sem nenhuma altura: onde as frases começam, respiram e terminam.

O mesmo ritmo, com notas · Dó maior · 96 BPM

Agora o mesmo ritmo ganha notas. Em 0:02, a primeira frase sobe mi–sol–lá e pousa no sol. Em 0:07, a segunda desenha o mesmo arco um grau abaixo (ré–mi–sol–mi). Em 0:12, a terceira começa na nota mais grave até agora, dó, sobe mi–sol e desta vez sustenta a nota mais alta, lá, em 0:15. Em 0:17, a última passa por mi–ré–mi e aterrissa no dó em 0:20. O ritmo cria as frases; as alturas dão direção a elas. Antes de escolher uma única nota, batuque na mesa um padrão de dois compassos: se ele já é interessante em uma nota só, as alturas só podem melhorar.

Passo 2: dê forma com graus conjuntos e saltos

Melodia em graus conjuntos · C–Am–F–G · 88 BPM

Esta melodia anda quase sempre para a nota vizinha, dentro de cinco notas (de dó a sol). Os compassos começam em 0:02 (mi–fá–sol–mi), 0:05 (mi–ré–dó, com o dó sustentado), 0:08 (dó–ré–mi–fá) e 0:10 (um ré longo sobre G), e o loop se repete a partir de 0:13. Perceba como soa calma, quase falada, e como o ré longo de 0:10 fica em aberto e puxa você de volta para o começo.

Melodia com saltos · C–Am–F–G · 88 BPM

Mesmos acordes, mesmo andamento, mas a linha salta: mi–sol–dó em 0:02, até um dó agudo em 0:04. Em 0:05, volta a descer por graus (si–lá) antes de cair no mi. Em 0:08, sobe fá–lá até um ré agudo em 0:09 e depois cai si–sol em 0:10. A extensão agora é de sete notas, de mi a ré. Ouça o impulso em 0:04 e 0:09, e o que acontece depois de cada salto: a melodia muda de direção. Saltar e depois andar no sentido contrário é o equilíbrio clássico. Graus conjuntos deixam a melodia cantável; um ou dois saltos bem colocados deixam a melodia memorável.

Passo 3: notas do acorde nos tempos fortes

Notas do acorde são as que formam o acorde que está tocando por baixo: dó, mi e sol em C; lá, dó e mi em Am. Quando o tempo 1 cai em uma delas, melodia e harmonia concordam e a linha fica firme. O exemplo em graus conjuntos faz isso em todos os compassos: mi sobre C, mi sobre Am, dó sobre F e ré sobre G. As outras notas vão nos tempos fracos, como notas de passagem, ou num tempo forte de propósito, para uma tensão que se resolve. Não sabe quais notas um acorde tem? Toque o acorde e cantarole até achar uma nota que se funde com ele em vez de raspar. Quase sempre é do acorde.

Passo 4: repita uma ideia e depois varie

Motivo e variação (a–a′–b–c) · C–Am–F–G · 92 BPM

Um motivo de um compasso, sol–lá–sol–mi (rápida, rápida, média, longa), toca em 0:02. Em 0:05, ele começa igual, mas em vez de cair no mi sobe até um dó agudo. Em 0:07, o mesmo ritmo e a mesma forma se deslocam para cima (lá–dó–lá–fá). Em 0:10 chega algo novo, um sol–si–ré ascendente e regular que termina em aberto e leva você de volta ao começo em 0:13. É o padrão a–a′–b–c: apresentação, variação, eco e resposta. A repetição permite aprender uma melodia logo na primeira audição; a variação faz a pessoa continuar ouvindo. Mantenha o ritmo e mude o final.

Passo 5: crie contraste entre verso e refrão

Verso → refrão · Am–F–C–G → C–G–Am–F · 96 BPM

O verso (0:02–0:12, Am–F–C–G) fica na região grave, entre o lá abaixo do dó central e o fá acima dele, anda em notas rápidas, uma por sílaba (22 em quatro compassos), e não tem bateria. O refrão (0:12–0:22, C–G–Am–F) traz a bateria, começa no sol, salta para um mi agudo por volta de 0:13 e anda em notas longas, só 8 em quatro compassos; a última, um lá, fica sustentada a partir de 0:20. Ouça o registro: a nota mais grave do refrão é mais alta que a mais aguda do verso. Na sua música, mexa em pelo menos duas alavancas: registro mais agudo, notas mais longas, menos palavras ou começo em outro tempo. O guia para escrever um refrão cobre o lado da letra, e o guia de estrutura de uma música mostra como as partes se conectam.

Passo 6: grave e teste

A memória disfarça os pontos fracos. Cante a melodia sobre os acordes e grave três takes no celular, sem corrigir nada. No dia seguinte, tente cantar antes de apertar o play. O que volta de memória é a melodia de verdade; os compassos esquecidos são os que precisam ser reescritos. Depois ouça os takes e anote onde você forçou a voz e onde atropelou as palavras.

Por que a melodia de treino funciona, compasso a compasso

A melodia de treino do passo 1 é a do exercício de melodia do guia de letras, e todos os princípios acima estão nela. Aqui está ela com acordes e baixo:

Melodia de treino com acordes · C–C–G–Em–Am–F–G–C · 96 BPM

Os acordes mudam a cada compasso: C em 0:02 e 0:05, G em 0:07, Em em 0:10, Am em 0:12, F em 0:15, G em 0:17 e C em 0:20. Ouça a primeira nota de cada frase contra o seu acorde: mi sobre C (0:02), ré sobre G (0:07), dó sobre Am (0:12) e o dó final sobre C (0:20).

Quatro frases de dois compassos. Os oito compassos se dividem em quatro frases iguais, um tamanho que o ouvido consegue abraçar, e cada uma tem uma pausa no segundo compasso para respirar.

Um ritmo, quatro vezes. Todas as frases vão longa–curta–curta–longa mais uma nota rápida. Essa nota é uma anacruse que leva à frase seguinte por um intervalo pequeno: de mi para ré, de ré para dó, de sol para mi. Só a última frase quebra o padrão e segura o dó final por três tempos. É essa mudança de ritmo que avisa que a melodia terminou.

Notas do acorde nos tempos fortes. Sete dos oito compassos começam em uma nota do seu acorde:

CompassoAcordeNota no tempo 1Está no acorde?
1Cmi (E)Sim (terça)
2Csol (G)Sim (quinta)
3Gré (D)Sim (quinta)
4Emmi (E)Sim (fundamental)
5Amdó (C)Sim (terça)
6Flá (A)Sim (terça)
7Gmi (E)Não: desce para ré no tempo 3
8Cdó (C)Sim (fundamental, a casa)

A exceção é proposital. Em 0:17, o mi sobre G traz uma cor mais suave e menos resolvida, que se resolve descendo para ré, nota do acorde. Um momento de tensão logo antes do final faz o dó final soar merecido.

Um contorno com o ponto alto no fim. As duas primeiras frases são pequenos arcos, a segunda um grau abaixo. A terceira começa no ponto mais grave, dó, e sobe até a nota aguda mais longa, o lá sobre F em 0:15, a uns dois terços do caminho. A quarta volta para casa, no dó.

Uma extensão estreita. Tudo fica entre dó e lá, seis notas, e nenhum intervalo passa de uma terça. Quase qualquer pessoa consegue cantar, e por isso ela serve para treinar letras. Na sua própria música, você pode acrescentar um salto maior no ponto alto.

Quando a melodia não funciona: quatro problemas comuns

Está monótona

Quase sempre todas as sílabas duram o mesmo e todas as frases começam no tempo 1. Junte duas notas curtas numa longa, comece uma frase logo depois do tempo ou dê à terceira frase um salto até uma nota que você ainda não usou, como o exemplo com saltos em 0:04. E não termine numa nota curta no meio da sua extensão.

Está sem rumo

Se você não consegue cantar depois de ouvir três vezes, falta repetição. Transforme seu compasso favorito no primeiro compasso de duas frases, faça o tempo 1 de cada compasso cair numa nota do acorde e termine a última frase na nota de casa (dó, em Dó maior) para dar um destino a quem ouve.

Está fora da sua extensão

Descubra sua nota mais grave e a mais aguda. Se a melodia inteira está alta ou baixa demais, mas a extensão é confortável, mude o tom: o player de progressões transpõe o loop, e você canta a mesma forma a partir de uma nova primeira nota. Se o problema é a extensão em si, nenhum tom resolve; abaixe o ponto alto ou suba o trecho mais grave. Uma melodia que cabe numa oitava é confortável para a maioria das pessoas. Para ver quais tons cabem na sua voz, informe a sua extensão e as notas mais grave e mais aguda da melodia em qual o tom da minha voz?.

Parece outra música

Milhares de músicas usam a mesma progressão; o que torna uma melodia reconhecível é o ritmo e as notas nos tempos fortes. Cante a sua primeira frase e a da música suspeita uma atrás da outra; se coincidirem, mude o ritmo do seu primeiro compasso e depois a nota mais alta. Mostre a nova versão para alguém sem dizer o que está preocupando você.

Exercício: uma melodia de 8 compassos em 20 minutos

Abra o player com I–V–vi–IV já carregado: C–G–Am–F em Dó maior a 96 BPM, com teclado pulsado e sem bateria. Coloque em loop e ligue um timer. A meta: oito compassos, quatro frases de dois compassos, sobre o loop tocado duas vezes. Não precisa ficar boa; precisa ficar pronta e gravada.

MinutosTarefa
0–3Cantarole livremente sobre o loop em “da” e procure um ritmo de que você goste.
3–7Fixe o ritmo de uma frase de dois compassos e bata palmas até sair sempre igual. Travou? Pegue emprestado longa–curta–curta–longa.
7–12Escolha uma nota do acorde para o tempo 1 de cada compasso (tabela abaixo) e ligue as notas por graus conjuntos.
12–16Monte os oito compassos: frase 1, frase 1 com outro final, frase 3 subindo até sua nota mais alta e frase 4 voltando para casa.
16–20Grave três takes sobre o loop e anote as notas do tempo 1 embaixo de cada acorde.
AcordeNotas do acorde
Cdó, mi, sol
Gsol, si, ré
Amlá, dó, mi
Ffá, lá, dó

Um esqueleto possível para o tempo 1 dos compassos 1 a 8: mi, ré, dó, dó, e depois sol, si, dó agudo, lá. Terminar em lá sobre F deixa o loop em aberto; termine em dó para um final mais firme. Se você não lê nome de nota, escolha de ouvido: no tempo 1, a nota que se funde com o acorde.

Para gravar, coloque fones de ouvido e use o botão “Gravar um take” do player: ele grava sua voz sobre o loop, deixa você ouvir os dois juntos e fica no seu navegador até você baixar. Sem fones, toque o loop numa caixa de som com o celular do seu lado. Amanhã, cante antes de ouvir a gravação. Para aquecer antes com uma melodia pronta, o exercício de melodia do guia de letras deixa você cantar a sua própria letra sobre a melodia que acabou de analisar.

Escrever a melodia em cima da faixa de outra pessoa é um ofício à parte: veja o que é topline e como escrever.

Onde a Zoundroom entra

O take cantarolado na terça costuma ser melhor que o lapidado na sexta, e você só descobre isso se guardou os dois. Na Zoundroom, cada música é um projeto. Abra uma nota nele e grave o cantarolado dentro da nota: o áudio é inserido onde está o cursor, e você pode digitar a frase da letra embaixo do take enquanto ele toca. Grave cada tentativa como um take novo em vez de substituir o anterior, com uma linha de contexto como “take 3, refrão um tom acima”. Se você usou o app Gravador ou outro gravador do celular, importe o arquivo para o projeto e insira na nota. Veja como funcionam as notas e letras com áudio.

Perguntas frequentes

O que vem primeiro, a melodia ou a letra?

Os dois caminhos funcionam. Começar pela letra dá sentido e ritmo, mas pode levar a uma melodia falada demais; começar pela melodia rende formas mais cantáveis, só que depois você precisa de palavras que respeitem os acentos dela. Um meio-termo: faça a melodia para uma frase forte, muitas vezes o título, e deixe essa frase definir o ritmo do resto. Como colocar melodia em uma letra explica o caminho que começa pela letra.

Preciso saber teoria musical para fazer uma melodia?

Não. Você precisa de ouvido e de algo para gravar. “Notas do acorde nos tempos fortes” é quase toda a teoria que este método pede, e essas notas se encontram de ouvido.

Como saber se minha melodia é chiclete?

Teste. Você consegue cantar no dia seguinte sem ouvir a gravação? Um amigo consegue cantarolar um pedaço depois de ouvir duas vezes? Melodias chiclete costumam juntar uma ideia curta que se repete, um ritmo que se destaca do verso e uma extensão cantável. Se só uma parte gruda, essa parte é o seu gancho: construa o refrão em volta dela.

Dá para fazer uma melodia sem instrumento?

Dá. Cantarole ou cante no celular; a maioria das melodias é escrita para a voz. O que você perde é a harmonia, então procure os acordes depois (teste acordes que contenham a nota do tempo 1) ou cante sobre um loop do player de progressões gratuito.