Como compor um funk: letra, refrão chiclete e beat a 130 BPM
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Como fazer um funk do zero: vertentes, tamborzão a 130 ou 150 BPM, MC e DJ, chamada, refrão chiclete, letra limpa, funk consciente, exemplo e modelo.
Para compor um funk, escolha primeiro a vertente (carioca, 150 BPM, melody, consciente, mandelão ou brega funk) e pegue um beat: no funk carioca, o tamborzão gira em torno de 130 BPM, e a vertente 150 BPM acelera tudo. Depois escreva o refrão chiclete antes de qualquer verso: uma frase curta, de um compasso, repetida com uma troca pequena até grudar. Monte a chamada, o grito do MC que a galera responde, e só então faça a letra de funk dos versos: uma cena concreta, rimas em pares e a gíria que você fala de verdade. Grave por cima do beat no celular no mesmo dia e, antes de lançar, combine a divisão com o DJ e registre a obra.
Logo abaixo: as vertentes com referências de estilo, o beat e o andamento com o metrônomo online gratuito, quem faz o quê entre MC e DJ, um funk original do começo ao fim, um trecho de funk consciente e um modelo para copiar. Todos os exemplos deste guia têm letra limpa: aqui não escrevemos funk explícito nem proibidão.
As vertentes do funk: qual você vai compor
O funk nasceu nos bailes das favelas do Rio de Janeiro em meados dos anos 1980, a partir do Miami bass e do freestyle americanos, e em 2009 a Assembleia Legislativa do Rio o reconheceu como movimento cultural e musical. Hoje ele é uma família de estilos, e cada um pede um beat e uma letra diferentes. Antes de escrever, decida em qual você quer cair:
| Vertente | Origem | Som e letra | Referências de estilo |
|---|---|---|---|
| Funk carioca | Bailes do Rio, a partir dos anos 1980 | Volt Mix e depois tamborzão, por volta de 130 BPM; letra de baile, dança e comunidade | DJ Marlboro |
| Funk 150 BPM | Bailes da Nova Holanda, no Complexo da Maré, a partir de 2016 | Tamborzão acelerado a 150 BPM; cabem menos sílabas em cada compasso | DJ Polyvox, Rennan da Penha |
| Funk melody | Rio, anos 1990, herdeiro do freestyle | Voz cantada, letra romântica | Claudinho & Buchecha, Perlla |
| Funk consciente | Rio nos anos 1990; Baixada Santista nos anos 2000; nova onda em São Paulo desde 2019 | A realidade da quebrada: trabalho, fé, família, desigualdade | Cidinho & Doca, MC Hariel |
| Funk ostentação | São Paulo e Baixada Santista, a partir de 2008 | Carros, motos, marcas, a vitória de quem veio de baixo | MC Guimê, MC Daleste |
| Mandelão | Fluxos de São Paulo; o nome vem do Baile do Mandela, em Praia Grande, e o som se firmou por volta de 2015–2017 | Beat minimalista, grave estourado, percussão metálica e andamento mais lento; letra simples e repetitiva | DJ GBR |
| Brega funk | Recife, por volta de 2011 | Brega com funk carioca, batidas simples feitas no computador; letra de festa e dança | Dadá Boladão; MC Loma e as Gêmeas Lacração |
Funk paulista é o nome guarda-chuva do que nasceu em São Paulo, da ostentação ao mandelão. Existe também o proibidão, com letras sobre o crime, e o funk de letra explícita: são vertentes reais, mas este guia não traz exemplos delas. Ouça as referências para entender o beat, a energia e o jeito de cantar; não copie versos de ninguém.
O beat do funk: tamborzão, 130 e 150 BPM
O primeiro beat que dominou os bailes foi o Volt Mix, um loop lançado em 1988 que tomou conta das festas no começo dos anos 1990. No fim da década, DJ Luciano Oliveira e DJ Cabide montaram numa bateria eletrônica uma levada que imita a cadência do atabaque: o tamborzão, que virou a cara do funk carioca. A autoria e o ano (1997 ou 1998) variam conforme a fonte, e os DJs foram acrescentando timbres e viradas desde então.
Sobre o andamento, a pesquisa de Dennis Novaes (2022) mostra que as bases dos anos 1990 e 2000 se padronizaram em torno de 130 BPM, e que o tamborzão manteve esse andamento. A aceleração veio em 2015 e 2016, nos bailes da Nova Holanda: em 2016, DJ Polyvox produziu a primeira base original a 150 BPM, e Rennan da Penha levou o som adiante no Baile da Gaiola. O mandelão de São Paulo foi para o outro lado, com andamento relativamente mais lento e o grave na frente.
Para quem escreve, o número muda o espaço que cada linha tem. Num compasso de quatro tempos, a 130 BPM cada compasso dura 1,85 segundo; a 150 BPM, 1,6 segundo. Como ponto de partida, uma linha de refrão por compasso com 4 a 8 sílabas cantadas cabe bem a 130; a 150, corte para 3 a 6 e repita mais.
Recebeu o beat de um DJ? Pergunte o BPM, suba o arquivo no detector de tom e BPM, que roda no navegador, ou bata junto com o pulso no metrônomo abaixo. Depois teste: coloque o clique em 130, fale uma frase curta uma vez por compasso e repita a 150 para sentir quanto espaço some.
O guia o que é BPM na música explica andamento, meio tempo e tempo dobrado com áudio. Se o beat do seu DJ puxa para o trap, como acontece em muito funk de hoje, o guia de como fazer uma música de trap mostra o flow em tercinas.
MC e DJ: quem faz o quê num funk
No funk, a música costuma nascer de uma dupla de funções, mesmo quando uma pessoa só faz tudo:
- O MC escreve e canta a letra, inventa a chamada e o jeito de falar cada linha. A melodia da voz, mesmo quando é quase falada, é parte da composição.
- O DJ é, no funk, quem produz: monta o beat, escolhe os timbres, faz as viradas e muitas vezes é quem descobre o MC.
Um jeito simples de trabalhar juntos: o MC grava a chamada e o refrão no celular, a capela ou em cima de um clique no andamento combinado, e manda para o DJ; o DJ devolve o beat com a voz encaixada; o MC escreve os versos já em cima da base. Se você vem do rap, a lógica de compassos é parecida, e o guia de como escrever um rap detalha o verso de 16.
Não sabe fazer beat? Não precisa. Peça para um DJ da sua área, ou use um beat da internet só depois de ler a licença: é ela que diz se você pode lançar a música e em que condições.
Refrão chiclete: como fazer o refrão que gruda
Refrão chiclete é o refrão que gruda na cabeça e que a pista canta junto na segunda vez que ouve. No funk, ele costuma carregar a música inteira, então escreva o refrão primeiro:
- Uma ideia, poucas palavras. De três a seis palavras, uma frase que dá para gritar na pista.
- Uma linha por compasso. Sem pressa: espaço para o tamborzão aparecer entre as palavras.
- Repita com uma troca pequena. Duas linhas que voltam iguais e uma que muda já bastam.
- A mesma rima no refrão inteiro. Terminações abertas e fortes, como -ar, -ão ou -ô, seguram a voz e facilitam o coro.
- Uma ação, se der. Refrão que manda fazer alguma coisa (levantar a mão, guardar o celular, bater palma) vira coreografia e vídeo.
- O título está no refrão. Quem ouviu uma vez precisa saber como procurar a música depois.
Teste de dez minutos: cante o refrão para alguém uma vez, mude de assunto e, depois de dez minutos, peça para a pessoa cantar de volta. Se ela não lembrar, corte palavras. O guia de como fazer um refrão tem mais oito técnicas, com áudio.
A chamada: o MC pergunta, o baile responde
No funk, muita gente chama de chamada o grito ou a frase curta com que o MC puxa a galera, quase sempre esperando uma resposta. É o esquema de pergunta e resposta do baile: a Wikipédia descreve as letras do mandelão como cheias de “chamadas responsivas” e de referências às quebradas paulistas. Não é um termo técnico com uma definição única (tem quem chame assim a abertura da música), mas a função é sempre a mesma: fazer a pista participar antes mesmo de conhecer a letra.
Como escrever uma chamada:
- A pergunta ou a ordem do MC ocupa um compasso. A resposta ocupa o seguinte.
- A resposta tem de uma a três sílabas. “Tá aqui!”, “Vai!”, “Ô!”: qualquer pessoa grita isso na primeira vez.
- Chame alguém. O fundão, a turma da escola, o seu bairro: a chamada é o lugar da referência territorial.
- Use duas vezes. Na abertura e antes do último refrão, para a energia voltar.
| MC (compasso 1) | Galera (compasso 2) |
|---|---|
| Cadê a galera do fundão? | Tá aqui! |
| Então levanta a mão! | Ô, ô, ô! |
| Quem veio só pra dançar? | Eu! |
| Agora todo mundo junto! | Vai! |
Como fazer letra de funk em 7 passos
- Escolha a vertente e o tema numa frase. Por exemplo: “um funk de baile sobre quem passa a festa inteira filmando”.
- Pegue o beat e anote o BPM no topo da página. Se for funk melody, anote também o tom. Para achar a melodia sem beat ainda, um loop de quatro acordes ajuda: cante por cima de Lám–Fá–Dó–Sol (Am–F–C–G) a 130 BPM no player de progressões.
- Escreva o refrão chiclete. Oito compassos, uma linha por compasso, a mesma rima do começo ao fim.
- Escreva a chamada. Quatro compassos: pergunta, resposta, pergunta, resposta.
- Escreva o verso. Oito compassos com uma cena concreta e rimas em pares (AABB). Confira se as linhas que rimam têm tamanho parecido no contador de sílabas e procure rimas no dicionário de rimas.
- Faça o embromation em cima do beat. Cante sílabas sem sentido no ritmo antes de colocar as palavras e grave no gravador de voz online ou no celular. O guia de como escrever letra em cima de um beat mostra como contar compassos e onde encaixar as sílabas.
- Monte a forma e corte. O refrão entra antes dos 10 segundos e volta pelo menos três vezes. Desenhe a forma no planejador de estrutura e corte toda linha que não empurra a música.
Na Zoundroom, importe o beat para o projeto da música e, no celular, insira na nota da letra pelo clipe («Selecionar áudio»): ele toca enquanto você escreve, e cada embromation gravado com o microfone da nota (na web, «Gravar») fica logo abaixo das linhas a que pertence.
Exemplo completo: “Guarda o celular”
Um funk de baile escrito para este artigo, a 130 BPM, com letra limpa. Cada linha ocupa um compasso.
Chamada (abertura, 4 compassos)
MC: Cadê a galera do fundão?
Galera: Tá aqui!
MC: Então levanta a mão!
Galera: Ô, ô, ô!
Refrão (8 compassos)
Guarda o celular,
hoje é pra dançar,
guarda o celular,
o story pode esperar.
Guarda o celular,
hoje é pra dançar,
quem filmou, filmou,
agora é pra dançar.
Verso 1 (8 compassos)
Sexta-feira, a rua acendeu,
o grave do paredão bateu,
mas a turma tá toda parada,
filmando tudo e vivendo nada.
Dez vídeos do mesmo pedaço,
tremidos, escuros e sem compasso,
a vida passando na frente
e ninguém olhando pra gente.
O que cada parte faz:
- A chamada não exige conhecer a música. “Tá aqui!” e “Ô, ô, ô!” saem na primeira vez, e “fundão” rima com “mão” para abrir o baile com uma rima só.
- O refrão é uma ordem que vira coreografia. “Guarda o celular” tem cinco sílabas cantadas (guar-dao-ce-lu-LAR) e termina em -ar, como “dançar” e “esperar”: é a mesma rima no refrão inteiro, e é isso que gruda.
- Repetição com duas trocas. Só a linha 4 e as linhas 7 e 8 mudam. Na primeira vez a pista aprende; na segunda, canta junto.
- O verso mostra o problema que o refrão resolve. O paredão, os dez vídeos do mesmo pedaço, a vida passando na frente: uma cena com humor, sem sermão.
- Rimas em pares. Acendeu e bateu, parada e nada, pedaço e compasso, frente e gente: fácil de lembrar e de cantar em cima do tamborzão.
- Letra limpa. É um funk que toca no baile, no aniversário da família e na festa da escola.
A forma completa, a 130 BPM (240 ÷ 130 = 1,85 segundo por compasso):
| Parte | Compassos | Começa em |
|---|---|---|
| Chamada | 4 | 0:00 |
| Refrão | 8 | 0:07 |
| Verso 1 | 8 | 0:22 |
| Refrão | 8 | 0:37 |
| Chamada | 4 | 0:52 |
| Verso 2 | 8 | 0:59 |
| Refrão ×2 | 16 | 1:14 |
| Final, só o beat | 4 | 1:43 |
São 60 compassos: 60 × 240 ÷ 130 = 110,8 segundos, cerca de 1:51. A 150 BPM, a mesma forma dura 96 segundos. Para escrever o verso 2, use a mesma forma do verso 1 e conte o que acontece quando a turma finalmente guarda o celular.
Como fazer um funk consciente
O funk consciente fala da realidade da quebrada: trabalho, fé, família, a moto, a desigualdade, a polícia. Começou no Rio nos anos 1990, com nomes como Cidinho & Doca, ganhou força na Baixada Santista nos anos 2000, com Felipe Boladão, MC Primo e Duda do Marapé, e voltou com tudo em São Paulo a partir de 2019, com MC Hariel, MC Lele JP e MC Neguinho do Kaxeta. Ouça esses nomes para pegar o tom, não as frases. Para escrever o seu:
- Comece por uma história, não por uma opinião. Sua, da sua mãe, do seu bairro.
- Detalhes que só quem viveu conhece. O horário do ônibus, a marmita, o que a mãe falou na porta.
- Mostre, não pregue. A cena convence mais que a conclusão; deixe o ouvinte chegar nela.
- O refrão é um lema. Uma frase de orgulho ou de superação que a quebrada inteira pode cantar.
Verso
Cinco da manhã, o ônibus lotado,
marmita na mochila e o sonho do lado,
minha mãe falou: “vai com Deus e com calma”,
o corre cansa o corpo, mas não cansa a alma.
Refrão
Ninguém me deu, eu fui buscar,
a quebrada inteira vai me ver chegar.
Ninguém me deu, eu fui buscar,
e quem duvidou vai ter que escutar.
O verso tem mais palavras por linha que o refrão, como no rap, e o refrão volta ao chiclete: uma frase, a mesma rima em -ar, repetida. O corpo cansado e a alma inteira resumem o tema sem dizer a palavra “superação”.
Letra limpa: funk sem palavrão que funciona
Letra limpa não é funk fraco. Ela toca em mais lugares (festa de família, escola, vídeo para todas as idades) e obriga você a achar a energia em outro lugar:
- Na dança. Uma ordem no refrão (“levanta a mão”, “guarda o celular”) vira passinho e vídeo.
- No território. O nome do bairro, da rua, da escola: quem é de lá canta mais alto.
- No humor. Uma cena engraçada que todo mundo já viveu vale mais que um palavrão.
- Na autoestima. Chegar bem, vencer, cuidar da família: o funk consciente e o funk ostentação vivem disso.
Se a graça de uma linha depende de um palavrão, troque a piada, não só a palavra. E deixe de fora apologia ao crime e ofensas a pessoas reais: além de fechar portas, isso não é o que faz um funk grudar.
Registre seu funk e combine a divisão com o DJ
Antes de lançar, anote no mesmo dia quem fez o quê: quem escreveu a letra, quem criou a melodia da voz, quem fez o beat e qual é a divisão combinada. Use o modelo de split sheet e assinem todos. Se o beat usa um trecho de outra gravação (um sample), ele precisa de autorização de quem tem os direitos daquela música e daquela gravação.
Isto não é orientação jurídica, só o caminho como as próprias entidades descrevem. O registro da obra no Escritório de Direitos Autorais (EDA) da Biblioteca Nacional é pedido pelo gov.br, com pagamento por Pix ou cartão de crédito, e gera uma certidão. Para receber direitos de execução pública quando o seu funk toca em baile, rádio ou show, você precisa se filiar a uma das sete associações que administram o ECAD (Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC) e cadastrar as suas obras. O guia de como registrar uma música mostra o passo a passo e explica a diferença entre a obra (letra e música) e a gravação.
Modelo para copiar
TÍTULO / FRASE DO REFRÃO: ____________ (3 a 6 palavras)
VERTENTE: ________ · BEAT DE: ________ · ___ BPM · tom (se for melody): ___
TEMA NUMA FRASE: ____________
CHAMADA (4 compassos)
MC: ____________? Galera: ______! (1 a 3 sílabas)
MC: ____________! Galera: ______!
REFRÃO (8 compassos, uma linha por compasso, a mesma rima)
1 Frase do refrão
2 ____________ (rima com a 1)
3 Frase do refrão
4 ____________ (troca pequena)
5 Frase do refrão
6 = linha 2
7 ____________ (troca)
8 ____________ (fecha na rima do refrão)
VERSO (8 compassos, rimas em pares)
1–2 Onde e quando: ____________ / ____________
3–4 A cena ou o problema: ____________ / ____________
5–6 Um detalhe que só você viu: ____________ / ____________
7–8 A ponte para o refrão: ____________ / ____________
FORMA: chamada 4 · refrão 8 · verso 8 · refrão 8 · chamada 4 · verso 8 · refrão 16 · final 4
DIVISÃO: MC ___% · DJ ___% · outros ___% (assinado em ___/___)
Erros comuns ao compor funk
| Sintoma | Causa provável | Como resolver |
|---|---|---|
| O refrão não gruda | Frase longa e rima que muda a cada linha | Uma frase de três a seis palavras e a mesma rima no refrão inteiro |
| A letra atropela o beat | Sílabas demais por compasso, ainda mais a 150 BPM | Corte palavras e repita mais |
| Ninguém responde à chamada | Resposta longa ou difícil de adivinhar | Resposta de uma a três sílabas |
| Soa como cópia de um hit | Frase ou melodia de outra música | Pegue a energia e o tema, nunca a frase |
| O refrão demora a entrar | Intro longa e verso antes de tudo | Chamada curta e refrão antes dos 10 segundos |
| Briga com o DJ depois do lançamento | Nada combinado por escrito | Split sheet assinado antes de lançar |
Zoundroom: a melhor para guardar o beat, a chamada e os takes do refrão no mesmo projeto
Na Zoundroom, o beat que o DJ mandou, a letra com a chamada e cada versão gravada do refrão ficam no mesmo projeto, então o funk inteiro está num lugar só enquanto ele nasce. Crie um projeto chamado “Guarda o celular”, importe o beat em «Adicionar» → «Importar» e escreva “130 BPM, tamborzão” no topo de uma nota, com a chamada, o refrão e o verso embaixo. No celular, insira o beat nessa nota pelo clipe, em «Selecionar áudio», para ele tocar enquanto você escreve, e grave as versões do refrão com o microfone da nota (na web, «Gravar»): cada gravação entra onde está o cursor, logo abaixo das linhas a que pertence. Quando falta uma palavra, o atalho «Campo semântico» do Auralis agrupa vocabulário do seu tema e «Destravar» propõe saídas de uma linha para a chamada travada, em texto. É a mesma conta no iPhone, no Android e na web.
No Free você compartilha o projeto com até 2 pessoas, como o DJ, mas os comentários com marcação de tempo são do Pro e do Band, e vale o plano de quem comenta. Com o Pro, o projeto vai para até 4 pessoas e o DJ marca o segundo exato em que a chamada entrou atrasada; teste 7 dias grátis no iPhone e na web com o refrão que você está gravando esta semana.
Limite: o beat, a mixagem e a masterização ficam com o DJ ou com uma DAW como o GarageBand ou o BandLab.
Perguntas frequentes
Como fazer um funk do zero?
Escolha a vertente, pegue um beat (ou um clique a 130 BPM) e escreva primeiro o refrão: uma frase de três a seis palavras, uma linha por compasso, repetida com uma troca pequena. Depois faça a chamada, escreva um verso de oito compassos com uma cena concreta e grave tudo no celular em cima do beat.
Qual é o BPM do funk?
O funk carioca se padronizou em torno de 130 BPM nos anos 1990 e 2000, e o tamborzão manteve esse andamento. A vertente 150 BPM nasceu nos bailes da Nova Holanda, no Rio, a partir de 2016. O mandelão de São Paulo costuma ser mais lento. Para saber o BPM do seu beat, use o detector de tom e BPM ou o tap tempo.
Preciso saber fazer beat para compor funk?
Não. No funk, o beat costuma ser do DJ, e o MC escreve a letra, a chamada e a melodia da voz. Você pode escrever em cima de um clique no andamento certo e mandar para um DJ, ou usar um beat de outra pessoa depois de ler a licença e combinar a divisão.
O que é refrão chiclete?
É o refrão que gruda na cabeça: curto, repetido, com a mesma rima do começo ao fim e, de preferência, uma ação que a pista pode fazer junto. No funk, ele costuma entrar nos primeiros segundos e voltar várias vezes.
Dá para fazer funk sem palavrão?
Dá, e a letra limpa toca em mais lugares. Tire a energia da dança, do território, do humor e da autoestima. O funk melody e o funk consciente vivem de letras assim há décadas.
Fontes
Páginas consultadas em 2 de outubro de 2026.
- Wikipédia, “Funk carioca”: origem nos bailes do Rio em meados dos anos 1980, influência do Miami bass e do freestyle; os DJs como produtores; reconhecimento do funk como movimento cultural e musical pela Assembleia Legislativa do Rio em 2009; vertentes. pt.wikipedia.org
- VICE Brasil, “A história do tamborzão, a levada que deu cara ao ritmo do funk carioca” (Eduardo Ribeiro, 20 de agosto de 2014): Volt Mix lançado em 1988; tamborzão criado em 1997 por DJ Luciano Oliveira e DJ Cabide numa bateria eletrônica, na cadência do atabaque. vice.com
- Dennis Novaes, “O movimento 150 BPM: técnica, território e a aceleração do andamento no funk carioca”, Ponto Urbe, 2022: bases padronizadas em torno de 130 BPM; tamborzão em 1998, no mesmo andamento; aceleração em 2015–2016 na Nova Holanda (Maré); primeira base original a 150 BPM de DJ Polyvox em 2016; Rennan da Penha no Baile da Gaiola. journals.openedition.org
- Wikipédia, “Mandelão”: origem nos fluxos de São Paulo, nome do Baile do Mandela (Praia Grande), consolidação por volta de 2015–2017 com DJ GBR; beat minimalista e grave acentuado; andamento relativamente mais lento; letras com refrões curtos e “chamadas responsivas”. pt.wikipedia.org
- Wikipédia, “Funk melody”: vertente romântica do Rio, herdeira do freestyle, popular nos anos 1990 com Claudinho & Buchecha; Perlla na geração seguinte. pt.wikipedia.org
- Periferia em Movimento, “Favela tá formada: funk consciente reflete efeitos da crise social e política” (Fernanda Souza, 23 de julho de 2021): origem no Rio nos anos 1990 (Cidinho & Doca), Baixada Santista nos anos 2000 (Felipe Boladão, MC Primo, Duda do Marapé) e nova onda a partir de 2019 (MC Hariel, MC Lele JP, MC Neguinho do Kaxeta); temas. periferiaemmovimento.com.br
- Wikipédia, “Funk ostentação”: surgimento em 2008 em São Paulo e na Baixada Santista; temas de consumo; MC Guimê e MC Daleste. pt.wikipedia.org
- Wikipédia, “Brega funk”: surgimento em Recife por volta de 2011, mistura de brega e funk carioca; Dadá Boladão; “Envolvimento”, de MC Loma e as Gêmeas Lacração, em 2018. pt.wikipedia.org
- ECAD: associações e por que o artista deve ser filiado a uma associação (sete associações que administram o Ecad; filiação necessária para receber direitos de execução pública).
- Governo federal: Registrar ou averbar direitos autorais na Biblioteca Nacional (registro pelo gov.br, certidão, pagamento por Pix ou cartão de crédito).